TEIA DO CERRADO no FICA

teia do cerrado nome 1

Desde 2009 vínhamos gravando durante viagens algumas imagens da natureza e cultura da Chapada dos Veadeiros.

Recebi então o convite para registrar uma oficina de tingimento com pigmentos naturais dentro do projeto TEIA DO CERRADO, iniciativa da ACDD, Associação Cultural Domínio Descendente, de Teresina de Goiás.

O projeto, com patrocínio do programa PPP ECOS, Programa de Pequenos Projetos Ecossociais do ISPN, Instituto Sociedade, População e Natureza, prevê diferentes etapas, e uma delas, a oficina de tingimento ministrada por Fabíola Abreu, é o ponto de partida para o doc TEIA DO CERRADO.

fabiola abreu 1

Registrada a oficina, e entregue o material institucional, continuei gravando, até montar o documentário de 15 minutos, realizado em 2010, que será exibido no dia 16 de junho, às 18h, dentro da mostra competitiva do XIII FICA, Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental.

canecas

outras palavras:

ISPN

projeto Teia do Cerrado

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goyania – primeiros dias

fundac  a  o
arquivo histórico estadual
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cabana
a. feichtenberger
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areia 1
arquivo histórico estadual
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vila 1 2
a. feichtenberger
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material de pesquisa recolhido para
goyania – documentário em construção

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outras palavras:

a obra fotográfica de alois feichtenberger

operários na construção de goiânia

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eixo no vimeo

terminal e cidade 1

eixo, doc, 18min, 2010

o documentário EIXO convida a uma viagem por Goiânia passando pela Avenida Anhanguera, o Centro e outros bairros da capital. observando o vaivém diário e registrando histórias de personagens que têm o Eixo Anhanguera presente em suas vidas, o filme propõe uma reflexão sobre a história da cidade, a movimentação humana nos corredores de transporte, a vida nos centros urbanos, encontros e desencontros.

assista aqui

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goyania

de poema a topônimo*

poema 1 2 exemplar fac-símile, acervo josé mendonça teles

goyania é o poema épico do baiano Manuel Lopes de Carvalho Ramos (pai de Hugo de Carvalho Ramos), publicado em 1896 na cidade do Porto, em Portugal, pela tipografia a vapor de Arthur J. de Sousa. Foi também o primeiro livro literário da História cuja temática é o estado de Goiás, e a inspiração definitiva do então interventor Pedro Ludovico Teixeira para o batismo da nova capital do Estado.

livro 1

aos 32 anos, o autor decidira, mediante Goyania, “cantar a natureza, sentir o belo, amar a virtude, animar o progresso, contradizer a incredulidade, combater o materialismo e estigmatizar a superstição”.

jornal goyania 1

material de pesquisa recolhido para
goyania – documentário em construção

outras palavras:
* Revista da UFG – 2007

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arte é trabalho

Frederico

frederico

Cercando toda a campina em que as vacas pastavam e os cavalos corriam, havia um velho muro de pedra.
No muro, não muito longe do curral e do paiol, morava uma família tagarela de ratos-do-campo.
Mas os fazendeiros tinham se mudado dali, deixando o curral abandonado e o paiol vazio. Como o inverno estava se aproximando, os ratinhos começaram a colher milho, nozes, trigo e palha para armazenar. Todos eles trabalhavam dia e noite. Todos, menos Frederico.
– Frederico, por que você não trabalha? – eles perguntavam.
– Eu estou trabalhando – dizia Frederico. – Estou colhendo raios de sol, para armazenar para os dias frios e escuros de inverno.
E, quando viam Frederico ali sentado, olhando para a campina, os outros ratos diziam:
– E agora, Frederico?
– Estou colhendo cores – ele respondia, simplesmente. – Porque o inverno é cinzento.

Certa vez, Frederico parecia ter adormecido.
– Está sonhando, Frederico? – os outros perguntaram, em tom de censura.
E Frederico respondeu: – Que nada! Estou colhendo palavras. Pois os dias de inverno são muitos e longos, e vamos ficar sem nada para dizer.

O inverno chegou e, quando caiu a primeira neve, os cinco ratos-do-campo se abrigaram entre as pedras.
No começo, havia muito o que comer, e os ratinhos contavam histórias de raposas tolas e gatos estúpidos. Eles formavam uma família feliz.
Com o tempo, porém, eles comeram quase todas as nozes, a palha se acabou e o milho virou apenas uma lembrança. O muro de pedra era frio e ninguém tinha vontade de tagarelar.
Então se lembraram do que Frederico tinha dito sobre raios de sol, cores e palavras.
– E as coisas que você armazenou Frederico? – eles perguntaram.
– Fechem os olhos – disse Frederico, subindo numa pedra muito alta. – Vou mandar para vocês os raios do sol. Sintam seu lindo brilho dourado… E, enquanto Frederico falava do sol, os quatro ratinhos foram se aquecendo. Será que era a voz do Frederico? Será que era mágica? – E as cores, Frederico? – eles perguntaram ansiosos. – Fechem os olhos de novo – disse Frederico.
E, enquanto ele ia falando dos miosótis azuis, das papoulas vermelhas no meio dos trigais amarelos, das folhas verdes dos arbustos, os ratinhos enxergavam as cores com muita clareza, como se tivessem sido pintados em suas mentes. – E as palavras, Frederico?
Frederico limpou a garganta, respirou um momento e então, como se estivesse no palco, ele falou:

Quem joga os flocos de neve como se fossem confete?
E mais tarde a neve gelada, quem é que derrete?
Quem planta as flores e cobre de folhas a árvore nua?
Quem apaga a luz do dia e acende a luz da lua?

Quatro ratinhos, olá, olê,
quatro ratinhos como eu e você.

Um é a primavera, que espalha as flores
Outro é o verão que as enche de cores
O outono é um ratinho meio amarelado
E o inverno é o último, sempre gelado.

Cada um faz uma coisa, cada estação tem sua hora,
Cada uma só chega quando a outra vai embora.

Quando Frederico terminou, todos aplaudiram. – Mas Frederico – eles disseram – , você é um poeta.
Frederico corou, agradeceu e disse, timidamente: – Eu sei.

manifestação pró-cultura no estado de goiás
dia primeiro de abril, palácio pedro ludovico teixeira
+ info em breve
f  rum

outras palavras:

blog do forum permanente de cultura

Leo Lionni

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feliz 2011

em 2010 gravamos alguns encantos de imagens e sons da chapada dos veadeiros.
as águas nostálgicas de fim de ano nos trouxeram saudade dessas viagens e um desejo de compartilhar o belo, o simples…chuveiro rosa

flores dançavam ao vento gelado de Pouso Alto, o ponto de maior altitude do estado de Goiás, onde fizemos parada, montamos tripé e mergulhamos num universo de veludo e pedra, um jardim verde e rosa que tá sempre aqui dentro, inspirando a gente.

flor 3

pensando numa mensagem de fim de ano que ligasse o cinema ao que chamou nosso olhar neste ano, nos veio o impagável jonas mekas, e, abrindo o sentido de sua fala, dizemos que o cinema é o que a gente quiser que ele seja – amigos unidos fazendo o que amamos.

aqui nosso cartão de fim ano.

Feliz 2011 from nonanuvem filmes on Vimeo.

agradecemos a quem está por perto,
e desejamos a todos um feliz ano que vem!

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nowmadism

fotos por André Blas
chapada
chapada dos veadeiros

aldeia multi  tnica
aldeia multiétnica

vídeo de André Blás, antropólogo, pesquisador, videomaker e editor,

gravado na Chapada dos Veadeiros, Goiás, em julho e agosto de 2010.

fotografia: fabiolamorais e ulianaduarte
argumento: renatalemos, fabianomorais e andréblas
montagem: andréblas
apoio | nonanuvem

outras palavras:
Encontro de culturas tradicionais da Chapada dos Veadeiros

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EIXO e O centésimo (((Dâw))) no FestCine Goiânia

eixo braco

o doc EIXO será exibido dia 05 de novembro, sexta, às 21h no Cine Ouro, dentro da programação do VI FestCine Goiânia.

daw

também na mostra competitiva do FestCine, o documentário dirigido pelo meu querido amigo Orlando Lemos, com roteiro premiado pelo Edital de Curtas da AGEPEL, O Centésimo ((( Dâw ))) será lançado no dia 07 de novembro, segunda, às 21h. Totalmente recomendado!

Veja a programação completa do FestCine Goiânia

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Doc Teia do Cerrado tem lançamento no Cineclube Vladimir Carvalho

ibisco
Oficina de tingimento com pigmentos naturais

manu roca
Fiandeira: Dona Manu

prosa fiandeiras
Fiandeiras: Dona Elia, Dona Guiomar

Seu Josué
Seu Josué, idealizador do projeto Teia do Cerrado

O CERRADO é tema da programação de setembro no Cineclube Vladimir Carvalho

Em homenagem ao Dia do Cerrado (07 de setembro), a programação do Cineclube Vladimir Carvalho (CONIC) deste mês conta com pré-estreias e com filmes raros e exclusivos, todos produzidos no Distrito Federal e Goiás.

A curadoria foi elaborada de forma coletiva e compartilhada entre o Coletivo de Cineclubes do DF e o Cineclube Cascavel de Goiânia (ambos integrantes do Conselho Nacional de Cineclubes), no intuito de dar a oportunidade ao público do acesso direto a produções de qualidade que contam com pouca circulação, em especial aos filmes de curta-metragem.

As sessões acontecem todas as quintas-feiras às 19h, contando com bate-papo após as exibições. O Cineclube Vladimir Carvalho fica no CONIC, sobreloja da biblioteca Arildo Dória. A entrada é franca.

PROGRAMA DIA 30.09 [Mostra, Goiás]

Teia do Cerrado, de Uliana Duarte | Documentário ⋅ 15 min ⋅ 2010 ⋅ GO
O filme aborda a relação da diversidade cultural e a biodiversidade, a partir das ações do projeto de mesmo nome desenvolvido pela Associação Cultural Domínio Descendente, de Teresina de Goiás, na Chapada dos Veadeiros. Ao registrar a evolução dos trabalhos do grupo de fiandeiras e tecelãs, o filme vai se aproximando de seus personagens, construindo a teia existente entre as senhoras participantes, o presidente da associação, músico e profundo conhecedor dos encantos do cerrado, Seu Josué; e o ambiente que os abriga e inspira. O curta homenageia a sabedoria popular das culturas tradicionais, lembrando a importância de seu resgate e alerta para a urgência da defesa do bioma que ainda resiste à exploração humana.

Peixe Frito, de Ricardo George Podestá Martins | Animação ⋅ 19min ⋅ 2005 ⋅ GO
Um avô ensina o seu neto a pescar, a partir daí, peixes, gaivotas, anzóis se misturam em uma verdadeira estória de pescador.

Vida Seca – Som de Sucata, de Diego Mendonça | Documentário ⋅ 12min ⋅ 2009 ⋅ GO
Documentário musical sobre o grupo goianiense Vida Seca, que toca percussão com instrumentos musicais feitos de lixo, e as oficinas que desenvolvem, misturando musicalidade e meio ambiente.

outras palavras:
mandra filmes

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reflexões cinematográficas

O que seria da perfeição se ela não fosse moldada pela singularidade de suas imperfeições que, de tão únicas, fazem-na perfeita?

Algumas sessões atrás, no Cineclube Cascavel, tive a oportunidade de ver o filme Aboio, de Marília Rocha, que ajudou a fervilhar alguns pensamentos que já pairavam em minha cabeça sobre documentários. Mas, antes de começar, deixo claro que este texto não é uma crítica ao filme, e sim os pensamentos de um espectador.

cine cascavel

Os filmes que gosto provocam um turbilhão em mim quando acabam, fico instigado e inspirado, procurando uma forma de digerir aquelas emoções, pois para mim cinema é emoção, é sentimento, imaginação, catarse… Porém, quando se trata de documentário, temos ali um assunto real sendo abordado – mesmo em documentários mais fantasiosos e ensaísticos tem-se a verdade do universo retratado.

Mas em se tratando de um filme, o que é real? Nos primórdios da fotografia a discussão girava em torno dela ser ou não uma forma de arte, sendo motivos pontuais dos que não a consideravam como tal: o retrato da realidade e a reprodutibilidade mecânica. Até que no início do século XX alguém indagou: como a fotografia poderia ser um retrato da realidade se, para início de discussão, ela não retratava cores?

Desde então e até hoje a discussão acerca da realidade nas imagens fotográficas acontece, e não serei eu a dar a palavra final. Martine Joly, autora francesa de livros sobre a análise da imagem, em palestra na Universidade Estadual de Goiás em 2008, concluiu uma conversa dizendo que devido a todos os mecanismos de manipulação de imagem (dos analógicos aos digitais) é impossível se afirmar a veracidade de qualquer delas.

Boris Kossoy em “Realidades e ficções na trama fotográfica”, faz uma abordagem levando em consideração o espectador na construção do sentido da imagem. Ou seja, o sentido da obra depende da bagagem cultural do espectador e o conhecimento dele acerca da realidade retratada, de modo que a imagem pode conter uma realidade para cada espectador. Então a imagem é a realidade ou a representação da realidade?

Ainda que hoje (pasmem) algumas pessoas não aceitem a fotografia como arte, foram os seus “defeitos” em reproduzir a realidade que lhe conferiram esse status, e consequentemente, ela sofreu várias experimentações nas mãos de seus artistas, demonstrando por a+b que são sempre capazes de tocar o âmago, mesmo em tempos de overdose de imagens. E, é claro, nosso amado cinema surgiu da fotografia.

Aboio trabalha de forma muito tocante esses “defeitos” da fotografia, que na verdade são recursos visuais próprios da linguagem, para imprimir uma visão tão singular sobre o assunto abordado, que mesmo se não houvesse a presença da voz dos entrevistadores, seria possível a diferenciação entre quem está observando, e no caso fazendo o filme, e o objeto filmado. A utilização de imagens em super8, que quase sempre associamos a imagens antigas, em uníssono com a tradição do aboio, mais antiga que o próprio cinema, o modo fílmico (no sentido universal, sem gêneros) que o som foi usado, e a poesia que corre solta durante todo o filme me tocaram. Como disse a Marcela Borela ao fim da mesma sessão “a poesia é o trunfo de Marília”.

aboio divulgacao3
still frame – aboio

Penso ligeiramente diferente, embora concorde que a poesia se sobressaiu neste trabalho específico, mas acho que o diferencial de Marília foi ter feito uma obra de arte independentemente de gênero cinematográfico. E quando digo isso, quero exprimir meu pensamento de que a partir do momento em que se decide por fazê-lo, o assunto abordado fica em segundo plano em relação ao conjunto de elementos que formarão a obra final, um filme. Antes de falar sobre qualquer que seja seu tema, o realizador deve ter em mente os recursos que constituem um filme sem se prender às amarras de cada estilo, fazendo com que ele respire como obra, tenha sua curva dramática, use o som mais corajosamente (muitas pessoas, aparentemente, ainda não perceberam que o som é no mínimo 50% da obra, mesmo ausente) de modo que ele acrescente à composição geral, e ainda desfrutar, quando julgar pertinente, da capacidade do cinema de incorporar qualquer outra forma de arte.

É claro que existem inúmeras situações documentais em que nem áudio e nem imagem são captadas com grande qualidade, mas mesmo assim, quando se está na ilha de edição deve-se organizar o material de forma cinematográfica. Um bom exemplo disso é o filme Burma VJ, que me parece (levianamente falando) um documentário ativista mesclado ao ensaísta. Nesta obra é possível se perceber a organização dos fatos de modo evolutivo. Também gostei desse filme por tratar de uma situação política muito peculiar, e mais ainda por fazer uso de um elemento cinematográfico predominantemente usado em filmes ficcionais: uma virada na trama, a quebra da expectativa. Sem contar uma sequência arrepiate de centenas de milhares de pessoas protestando pacificamente em nome da dignidade, humanidade, paz e liberdade. Merece até um friso essa emoção.

O pensamento que tento transmitir aqui é que não basta que o tema seja interessante, alguém que faz um documentário não pode se furtar a dá-lo a atmosfera artística que ele merece e que justifica o rótulo de sétima arte. A verdade dos fatos pode ser contada de inúmeras formas, mas assistir um filme é uma experiência diversas vezes intensa, e essa emoção faz parte da verdade do público, pois naquele momento é a única coisa que ele de fato sentiu na própria pele. Assim sendo, penso que o diretor é responsável por transpor o objeto documentado para a linguagem cinematográfica, não que esta seja engessada, mas que faça jus à grandeza do veículo.

Como é bom ter contato com filmes interessantes(!) e não ficar na dependência da lógica monetária das salas comerciais. O Cineclube Cascavel exibe filmes interessantes, num lugar honesto e de graça! Quem ainda não conhece, vale a pena.

Salve salve os cineclubes e o pensamento livre!!

renatoprado

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